segunda-feira, 1 de agosto de 2011

See you soon..

Não foi possível atualizar o blog ao longo da viagem. Muitas dos locais onde ficamos não tinha Internet e no pouco tempo livre eu precisei trabalhar pois a vida continuava no Brasil.

Mas eu escrevi na cadernetinha de viagem que levei. Escrevi na cadernetinha da Júlia que comprei na Patagonia. Escrevei no notebook nas estações e nos trens do Japão. Escrevi nas madrugadas deitado no tatames dos ryocans.

 Transcrevo então a partir de hoje nossa viagem por aqui. Para não esperar tanto - tenho muita coisa para contar - adiantei a produção deste vídeo como uma pequena coletânea de fotos que fizemos por lá. Enjoy! See you soon!



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fica longe..

São Paulo, Londres, Paris e Tóquio. Como assim Paris?! Estava no roteiro? Nosso voo econômico sim mas um passeio por lá, não mesmo! Mas nossa conexão foi cancelada depois de sucessivos atrasos. Parece que greves e problemas deste tipo ficaram comuns por aqui.

Sabíamos que seria bem cansativo mas decidimos arriscar e ver a cidade de perto já que a chance veio. Para a Júlia foi deslumbrante e uma grande surpresa. O calor bem que atrapalhou. Parece que lugar frio quando esquente, fica mais quente e abafado que lugar que é quente o tempo todo. A noite, depois de caminhar horas, não conseguimos táxi, o metro estava fechado e o jeito foi mesmo fazer as pernas funcionarem na cidade luz.




Preparação

A gente não fez nada demais. Na verdade o mínimo, eu creio. Mas esperamos que seja suficiente. Foram pedais aos Domingos na ciclovia de São Paulo, subidas a pé em todas as escadas que apareceram pela frente e algumas subidas de serras e montanhas na vizinhança de São Paulo.

No início a Júlia chiou uma barbaridade mas como o tempo foi acostumando e na reta final não reclamou mais dos esforços e cansaços. Na verdade já foi melhor que eu.

Agora vamos contar com as andanças na própria viagem - que não serão poucas - para manter a preparação em dia e não fazer feio na dia de subir o Fuji.




domingo, 19 de junho de 2011

Vá longe e ganhe respeito por si mesmo.

"Não seja escravo do seu passado. Mergulhe em mares grandiosos, vá bem fundo e nade até bem longe, e voltarás com respeito por si mesmo, com um novo vigor, com uma experiência a mais que explicará e superará a anterior". RW Emerson

Como viemos parar aqui..

Quando eu era criança pouco sabia sobre o Japão e os japoneses além de que eles matavam baleias anos atrás em minha cidade, João Pessoa. Os únicos japoneses lá dedicavam-se a pesca ainda permitida na década de 70. Depois disso, só mesmo quando vim para São Paulo estudar e entrei em contato com seus descendentes.


Fui morar no Conjunto Residencial da USP como estudante de pós-graduação e algum tempo depois conheci um japonês do Japão. Seu nome era Kotaro Taguchi e ele estava lá para estudar - para minha absoluta surpresa - o trabalho do brasileiro Paulo Freire, especialista em educação. "Mas o que isso tem a ver com o fato de voce ser professor no Japão?!", perguntei. Ele respondeu que tinha muito a ver com a forma dos japoneses aprender a língua nativa e daí seu interesse. Eu pensei: só mesmo um japonês professor de educação fundamental para fazer doutorado sobre Paulo Freire e somente no Japão para um cara brilhante e  doutor ser professor de crianças. Pensei de novo: há quantos anos-luz estamos de uma realidade assim? Muitos! É a conclusão que consigo chegar depois destes 20 anos..


Resumindo a história: me apaixonei pela amiga japonesa do Kotaro. Ela foi a pessoa mais doce e educada que conheci da vida. Se chamava Kiyomi ("kiyo" significa "pura" e "mi" beleza). Precisa dizer mais?!


Anos depois me casei com uma sansei (neta de japoneses) e tive uma filha que se chama Julia. Quando a Julia tinha 10 anos nós começamos a viajar sozinhos pelo Brasil e outros países. Anos atrás eu perguntei se ela queria fazer uma viagem diferente quando ela completasse seus 15 anos ou algo mais típico para a idade. Ela optou pela viagem. Agora lá vamos nós para o Japão!


Será uma viagem longa, sem pressa, para descobrir o país, seu povo, costumes, cultura, natureza, em um tempo recentemente marcado por uma tragédia sem precedentes. Muitas coisas quase me fizeram desistir da idéia mas eis que está chegando a hora. Eu sei que será uma viagem inesquecível de muitas formas. E deve ser mesmo bem diferente das outras que fizemos para Espanha, Chile, Argentina, Austrália e Estados Unidos. Queremos deixar que nossas memórias sejam gravadas para sempre e viver experiências que levaremos para o resto de nossas vidas. Lá vamos amadurecer como pessoas, como pai e como filha. Nós resolvemos juntos dividir este projeto e o desejo de ser forjado pelas forças da natureza e pelo destino. Que assim seja...