domingo, 19 de junho de 2011

Como viemos parar aqui..

Quando eu era criança pouco sabia sobre o Japão e os japoneses além de que eles matavam baleias anos atrás em minha cidade, João Pessoa. Os únicos japoneses lá dedicavam-se a pesca ainda permitida na década de 70. Depois disso, só mesmo quando vim para São Paulo estudar e entrei em contato com seus descendentes.


Fui morar no Conjunto Residencial da USP como estudante de pós-graduação e algum tempo depois conheci um japonês do Japão. Seu nome era Kotaro Taguchi e ele estava lá para estudar - para minha absoluta surpresa - o trabalho do brasileiro Paulo Freire, especialista em educação. "Mas o que isso tem a ver com o fato de voce ser professor no Japão?!", perguntei. Ele respondeu que tinha muito a ver com a forma dos japoneses aprender a língua nativa e daí seu interesse. Eu pensei: só mesmo um japonês professor de educação fundamental para fazer doutorado sobre Paulo Freire e somente no Japão para um cara brilhante e  doutor ser professor de crianças. Pensei de novo: há quantos anos-luz estamos de uma realidade assim? Muitos! É a conclusão que consigo chegar depois destes 20 anos..


Resumindo a história: me apaixonei pela amiga japonesa do Kotaro. Ela foi a pessoa mais doce e educada que conheci da vida. Se chamava Kiyomi ("kiyo" significa "pura" e "mi" beleza). Precisa dizer mais?!


Anos depois me casei com uma sansei (neta de japoneses) e tive uma filha que se chama Julia. Quando a Julia tinha 10 anos nós começamos a viajar sozinhos pelo Brasil e outros países. Anos atrás eu perguntei se ela queria fazer uma viagem diferente quando ela completasse seus 15 anos ou algo mais típico para a idade. Ela optou pela viagem. Agora lá vamos nós para o Japão!


Será uma viagem longa, sem pressa, para descobrir o país, seu povo, costumes, cultura, natureza, em um tempo recentemente marcado por uma tragédia sem precedentes. Muitas coisas quase me fizeram desistir da idéia mas eis que está chegando a hora. Eu sei que será uma viagem inesquecível de muitas formas. E deve ser mesmo bem diferente das outras que fizemos para Espanha, Chile, Argentina, Austrália e Estados Unidos. Queremos deixar que nossas memórias sejam gravadas para sempre e viver experiências que levaremos para o resto de nossas vidas. Lá vamos amadurecer como pessoas, como pai e como filha. Nós resolvemos juntos dividir este projeto e o desejo de ser forjado pelas forças da natureza e pelo destino. Que assim seja...

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